quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ausente!

Esta semana, ao conversar com uma amiga, ela me disse:
_ Mas, você me conta isso com essa cara de contente?
Desde então me vejo pensando no espaço pequeno que a demonstração da fraqueza (importante e necessária) tem no meu cotidiano.

Apropriação!

O objetivo do meu blog é que eu escreva e trabalhe, um pouco mais, com o que tanto gosto. Mas, hoje, este texto do Fernando Pessoa foi muito melhor do eu na exposição do que eu gostaria de dizer.

AH, UM SONETO...

Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...

No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.

Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.

Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...

Fernando Pessoa

terça-feira, 11 de maio de 2010

Rotação!

Hoje eu poderia escrever muita coisa. Mas, ao lanchar esta noite, eu olhei para a minha vitrola vermelha e percebi que há meses eu não me sento no chão, sozinha, e coloco um disco para tocar, atitude antes cotidiana. Vejo, então, que eu não tenho feito isso porque as músicas doem, lembram e expõem absolutamente o contrário. Não ouço porque não consigo mais. Talvez, apenas essa percepção, já seja um quase perfeito resumo do meu dia.

domingo, 9 de maio de 2010

Menino!

Era uma vez um menino que amava coca-cola. Ao cantar entoava um "puta" ou "porra" no meio da canção. Todos brigavam, mas riam escondido depois. Ele argumentava com convicção, tinha olhos de mar e muita ginga.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Bandeiras!



Uma das bandeirinhas que enriqueciam a praia de Cabo Polônio, no Uruguai. Só de recordar eu sinto uma sensação diferente, de surpresa, saudade e muita vontade de passar um tempo longo por lá.

Impaciência!

É estranho confiar no inexato e perceber a tolice que esse modo de agir traz. É curioso sentir-me tão diferente dos meus conceitos e ver-me inserida na minha própria crítica. É no mínimo um luto bater o pé, rir dos outros e ser, no final das contas, uma cópia do que eu me achava protegida.

domingo, 25 de abril de 2010

Admiração!

Há pessoas que me deixam inquieta por conseguirem se expressar tão bem e de forma tão bonita. Destaco, dentre elas, Quintana, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Cartola e tantos outros que são meus guias, seus textos são praticamente a minha bíblia cotidiana. Mas, de tudo o que eu li esse ano, o que mais me impressionou, me marcou, foi este "A Serenata", da Adélia Prado. Colocarei aqui para que seja mais fácil revê-lo sempre que eu quiser.

A SERENATA

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado