A voz passou.
Mas, o barulho do telefone, este não me deixa nunca.
A paciência também se foi.
E agora só falta decidir.
Aceitar o ruído constante ou perceber, finalmente, que estou vendendo tudo?
Adoecer, além da dor, provoca o pensamento.
(Tenho mais dois atestados para a minha recente coleção).
sábado, 16 de outubro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Raciocinando!
Aqui, nesta sala sem história, sigo contestando a minha.
Dias e dias sem assunto.
Vivo fingindo que são importantes, sem ao menos me esforçar.
Amanhã é um artigo, hoje uma solicitação tola.
Sem contar ser questionada dos motivos de tanta educação.
Eu sou assim, é a única resposta.
É melhor não dar resposta.
Pelo menos conversei sem sentir nada.
Quer dizer, senti sim.
Uma vontade imensa de ir embora para ouvir meu disco novo.
Dias e dias sem assunto.
Vivo fingindo que são importantes, sem ao menos me esforçar.
Amanhã é um artigo, hoje uma solicitação tola.
Sem contar ser questionada dos motivos de tanta educação.
Eu sou assim, é a única resposta.
É melhor não dar resposta.
Pelo menos conversei sem sentir nada.
Quer dizer, senti sim.
Uma vontade imensa de ir embora para ouvir meu disco novo.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Fechados!
Tive um sonho estúpido e acordei magoada.
Fui fraca na bagunça da minha mente.
Ao pensar na mesmice que eu hoje detesto.
Sonhei com uma conversa.
E eu apenas lia.
Como realmente fiz.
Fui fraca na bagunça da minha mente.
Ao pensar na mesmice que eu hoje detesto.
Sonhei com uma conversa.
E eu apenas lia.
Como realmente fiz.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Enfim!
Que seja bem vinda e constante essa leveza.
Sempre gostei das coisas assim.
Sentir-me bem de manhã e não ter medo nenhum de chegar.
Beber, falar o que não devo, torcer, brincar com a realidade alheia.
E pensar que há pouco tempo tive convicção que nada disso era para mim.
Besteira!
Sempre gostei das coisas assim.
Sentir-me bem de manhã e não ter medo nenhum de chegar.
Beber, falar o que não devo, torcer, brincar com a realidade alheia.
E pensar que há pouco tempo tive convicção que nada disso era para mim.
Besteira!
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Lembrança!
Amélia de Oliveira e Olavo Bilac eram noivos, mas não puderam compartilhar a existência, conforme desejavam. Perderam eles, que por circunstâncias da época não puderam viver o que pretendiam e ganhamos nós pelos belos sonetos deixados. O poema abaixo, da Amélia de Oliveira, deixou-me muito impressionada.
SONETO
Não te peço a ventura desejada,
Nem os sonhos que outrora tu me deste,
Nem a santa alegria que puseste
Nessa doce esperança, já passada.
O futuro de amor que prometeste
Não te peço! Minha alma angustiada
Já te não pede, do impossível, nada,
Já te não lembra aquilo que esqueceste!
Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto, que choro ainda por ti,
Nada te peço! Nada! Tão-somente
Peço-te agora a paz que me roubaste,
Peço-te agora a vida que perdi!
SONETO
Não te peço a ventura desejada,
Nem os sonhos que outrora tu me deste,
Nem a santa alegria que puseste
Nessa doce esperança, já passada.
O futuro de amor que prometeste
Não te peço! Minha alma angustiada
Já te não pede, do impossível, nada,
Já te não lembra aquilo que esqueceste!
Nesta mágoa sorvida, ocultamente,
Nesta saudade atroz que me deixaste,
Neste pranto, que choro ainda por ti,
Nada te peço! Nada! Tão-somente
Peço-te agora a paz que me roubaste,
Peço-te agora a vida que perdi!
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Encontrado!
Não são sensações já existentes. Daquelas que o encostar era a certeza da descontinuidade. E isso, pouco me importava. Queria o que viesse e trouxe-me dias curtos perceber que há quem prefira não seguir assim.
Vivo a construção. A mudança pequena em cada novo demonstrar. O leve desconforto diante da demora. Tudo calmo, sutil, com a delicadeza que me fez falta quando finalmente compreendi que estava sem (nunca tive).
Vivo a construção. A mudança pequena em cada novo demonstrar. O leve desconforto diante da demora. Tudo calmo, sutil, com a delicadeza que me fez falta quando finalmente compreendi que estava sem (nunca tive).
sábado, 19 de junho de 2010
Ajuda!
O que dizer destes momentos? Não sei. Mas, encontrei quem saiba. Por isso, pego emprestado o seguinte trecho do poema "Os últimos dias" de Carlos Drummond de Andrade.
(...)
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute realmente com a sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esque-
[cimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
(...)
(...)
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute realmente com a sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esque-
[cimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
(...)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Constatação!
A tranquilidade atrapalha um pouco a escrita. Mais uma vez o samba tem razão: nessa vida tudo passa. Hoje, eu acho uma tremenda graça no que a seriedade não me permitia ver.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Pensando!
Um dos aspectos que me chamou a atenção, quando eu li sobre a vida do poeta russo Iessiênin, é que ele se casou cinco vezes, lembrando que ele morreu antes dos 30. Vendo seus poemas, percebo a intensidade absurda com a qual se expressava sobre os sentimentos e a liberdade.
Fiz uma comparação maluca e abusiva (pois são realidades extremamente diferentes) com o meu estimado Vinícius de Moraes que, no decorrer de sua existência, casou-se nove vezes. Recordei de ter assistido a um dos seus depoimentos no qual ele explicou os seus casamentos dizendo da sua necessidade de estar constantemente apaixonado. Para ele o amor, o companheirismo, o afeto, eram sim, sentimentos importantíssimos. Mas eles, sem algo complementando, sem aquele, vamos dizer, fugir do mundo ouvindo músicas, não bastavam. E assim, ia se atirando, vivendo e não se furtava de agir.
Não sei se é o melhor e nem gosto de certezas. Até que ponto pode, até mesmo, ser esta considerada uma atitude egoísta? Ou, também, é uma interessante reflexão se egoístas não somos nós ao dividirmos uma vida sem o mesmo entusiasmo, sem um gás que, ao mesmo tempo que sufoca, é irresistível.
Penso no quanto (baita clichê, mas serve), existir voa e, apesar de não ter a mínima idéia sobre quais atitudes preenchem melhor o meu mundo, não posso deixar de admirar quem tem coragem de enfrentar o que já estava previamente determinado, transformar o exato em outra coisa, em prol do que às vezes nem nos permitimos enxergar.
Fiz uma comparação maluca e abusiva (pois são realidades extremamente diferentes) com o meu estimado Vinícius de Moraes que, no decorrer de sua existência, casou-se nove vezes. Recordei de ter assistido a um dos seus depoimentos no qual ele explicou os seus casamentos dizendo da sua necessidade de estar constantemente apaixonado. Para ele o amor, o companheirismo, o afeto, eram sim, sentimentos importantíssimos. Mas eles, sem algo complementando, sem aquele, vamos dizer, fugir do mundo ouvindo músicas, não bastavam. E assim, ia se atirando, vivendo e não se furtava de agir.
Não sei se é o melhor e nem gosto de certezas. Até que ponto pode, até mesmo, ser esta considerada uma atitude egoísta? Ou, também, é uma interessante reflexão se egoístas não somos nós ao dividirmos uma vida sem o mesmo entusiasmo, sem um gás que, ao mesmo tempo que sufoca, é irresistível.
Penso no quanto (baita clichê, mas serve), existir voa e, apesar de não ter a mínima idéia sobre quais atitudes preenchem melhor o meu mundo, não posso deixar de admirar quem tem coragem de enfrentar o que já estava previamente determinado, transformar o exato em outra coisa, em prol do que às vezes nem nos permitimos enxergar.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Descobrindo!
Estou em uma fase poetas russos. Fiquei muito impressionada com a força dos textos e, sempre que posso, tenho lido um pouco mais. Hoje, nessas viagens cotidianas em busca do sossego/aflição que a literatura me traz eu li sobre o Serguei Iessiênin (1895-1925). Lindo, revolucionário e um apaixonado constante, me vi suspirando, igual mulherzinha besta, diante da intensidade do que expressou. Morreu, antes de completar 30 anos e, por mais insano que nos possa parecer, embora a insanidade talvez esteja mesmo é em nosso dia-a-dia, ele escreveu o poema abaixo com sangue logo após cortar os pulsos. Trágico e surreal!
Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro.
Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Aproximação!
Gosto de conhecer pessoas que me arrebatam. Que me provocam a sonhar em escrever, se não com a mesma beleza e talento, pois seria impossível, mas pelo menos com intensidade.
Hoje, por acaso, li alguns textos do poeta russo Vladimir Mayakovsky. Preciso ler muito mais, pois, fiquei impressionada com a força e beleza da escrita. Segue um poema que me deixou de queixo caído.
O amor
Um dia, quem sabe,
ela que também gostava de bichos,
apareça numa alameda de zoo,
sorridente,
tal como agora está no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela, que por certo, hão de ressuscitá-la
Vosso Trigésimo século ultrapassará o exame de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então, de todo amor não terminado
seremos pagos em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo de casamentos,
concuspicência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte à terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o universo,
a mãe,
pelo menos a terra.
Vladimir Mayakovski
(1893-1930)
Hoje, por acaso, li alguns textos do poeta russo Vladimir Mayakovsky. Preciso ler muito mais, pois, fiquei impressionada com a força e beleza da escrita. Segue um poema que me deixou de queixo caído.
O amor
Um dia, quem sabe,
ela que também gostava de bichos,
apareça numa alameda de zoo,
sorridente,
tal como agora está no retrato sobre a mesa.
Ela é tão bela, que por certo, hão de ressuscitá-la
Vosso Trigésimo século ultrapassará o exame de mil nadas,
que dilaceravam o coração.
Então, de todo amor não terminado
seremos pagos em enumeráveis noites de estrelas.
Ressuscita-me,
nem que seja porque te esperava
como um poeta,
repelindo o absurdo cotidiano!
Ressuscita-me,
nem que seja só por isso!
Ressuscita-me!
Quero viver até o fim que me cabe!
Para que o amor não seja mais escravo de casamentos,
concuspicência,
salários.
Para que, maldizendo os leitos,
saltando dos coxins,
o amor se vá pelo universo inteiro.
Para que o dia,
que o sofrimento degrada,
não vos seja chorado, mendigado.
E que ao primeiro apelo:
- Camaradas!
Atenta se volte à terra inteira.
Para viver
livre dos nichos das casas.
Para que doravante
a família seja
o pai,
pelo menos o universo,
a mãe,
pelo menos a terra.
Vladimir Mayakovski
(1893-1930)
No Bar!
- Mas, o que você tem a perder se você se desesperar e virar uma vagabunda?
Obrigada amiga pelos excelentes conselhos em prol de melhores dias para mim.
Obrigada amiga pelos excelentes conselhos em prol de melhores dias para mim.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Crônica de uma tarde anunciada!
Acordei quase implorando aos céus por um motivo que me deixasse ficar em casa. Entrei no ônibus e nem Sérgio Sampaio eu quis ouvir, naquele dia, apenas naquele dia, eu discordei de tudo o que ele cantava e sinto profunda vergonha por isso.
No final da tarde, liguei para a minha amiga: - Vamos Beber? Estava frio e chovendo, mas ela, entendendo que a coisa era séria, respondeu, simplesmente: - Vamos.
Na mesa, as duas quietas, eu, sem graça pelas minhas tolices e ela de TPM. Combinação perfeita para um momento tão especial.
Saindo do bar, sinto o meu pé virar, meu corpo seguir sem meu controle. Sim, eu estava no chão, de joelhos, com as mãos na calçada, os óculos para um lado, a bolsa para o outro. Não quis me mexer, estava faltando dignidade à situação. Levantei e, rindo de tudo, senti que meus olhos, na verdade ardiam.
Tive uma crise, do tipo Engenheiros do Hawai, e eu, que não fumo, quis um cigarro. Procuramos um boteco fudido e ao entrar no mesmo, quem estava no balcão? Ele mesmo, o Cruel. Ele sempre está em todos os lugares. Ríamos tanto daquela visão que nem conseguimos comprar o bendito/maldito cigarro. Neste momento, eu já me sentia a Penélope Cruz em um filme do Almodovar.
Entramos na primeira padaria que encontramos, adquirimos o cobiçado cigarro e uma cerveja para acompanhar. Sentamos no meio-fio, para degustarmos as iguarias. Continuamos quietas, eu sentindo-me tola e ela de TPM.
No final da tarde, liguei para a minha amiga: - Vamos Beber? Estava frio e chovendo, mas ela, entendendo que a coisa era séria, respondeu, simplesmente: - Vamos.
Na mesa, as duas quietas, eu, sem graça pelas minhas tolices e ela de TPM. Combinação perfeita para um momento tão especial.
Saindo do bar, sinto o meu pé virar, meu corpo seguir sem meu controle. Sim, eu estava no chão, de joelhos, com as mãos na calçada, os óculos para um lado, a bolsa para o outro. Não quis me mexer, estava faltando dignidade à situação. Levantei e, rindo de tudo, senti que meus olhos, na verdade ardiam.
Tive uma crise, do tipo Engenheiros do Hawai, e eu, que não fumo, quis um cigarro. Procuramos um boteco fudido e ao entrar no mesmo, quem estava no balcão? Ele mesmo, o Cruel. Ele sempre está em todos os lugares. Ríamos tanto daquela visão que nem conseguimos comprar o bendito/maldito cigarro. Neste momento, eu já me sentia a Penélope Cruz em um filme do Almodovar.
Entramos na primeira padaria que encontramos, adquirimos o cobiçado cigarro e uma cerveja para acompanhar. Sentamos no meio-fio, para degustarmos as iguarias. Continuamos quietas, eu sentindo-me tola e ela de TPM.
Ausente!
Esta semana, ao conversar com uma amiga, ela me disse:
_ Mas, você me conta isso com essa cara de contente?
Desde então me vejo pensando no espaço pequeno que a demonstração da fraqueza (importante e necessária) tem no meu cotidiano.
_ Mas, você me conta isso com essa cara de contente?
Desde então me vejo pensando no espaço pequeno que a demonstração da fraqueza (importante e necessária) tem no meu cotidiano.
Apropriação!
O objetivo do meu blog é que eu escreva e trabalhe, um pouco mais, com o que tanto gosto. Mas, hoje, este texto do Fernando Pessoa foi muito melhor do eu na exposição do que eu gostaria de dizer.
AH, UM SONETO...
Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...
Fernando Pessoa
AH, UM SONETO...
Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear...
No movimento (eu mesmo me desloco
nesta cadeira, só de o imaginar)
o mar abandonado fica em foco
nos músculos cansados de parar.
Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.
Mas - esta é boa! - era do coração
que eu falava... e onde diabo estou eu agora
com almirante em vez de sensação?...
Fernando Pessoa
terça-feira, 11 de maio de 2010
Rotação!
Hoje eu poderia escrever muita coisa. Mas, ao lanchar esta noite, eu olhei para a minha vitrola vermelha e percebi que há meses eu não me sento no chão, sozinha, e coloco um disco para tocar, atitude antes cotidiana. Vejo, então, que eu não tenho feito isso porque as músicas doem, lembram e expõem absolutamente o contrário. Não ouço porque não consigo mais. Talvez, apenas essa percepção, já seja um quase perfeito resumo do meu dia.
domingo, 9 de maio de 2010
Menino!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Bandeiras!
Impaciência!
É estranho confiar no inexato e perceber a tolice que esse modo de agir traz. É curioso sentir-me tão diferente dos meus conceitos e ver-me inserida na minha própria crítica. É no mínimo um luto bater o pé, rir dos outros e ser, no final das contas, uma cópia do que eu me achava protegida.
domingo, 25 de abril de 2010
Admiração!
Há pessoas que me deixam inquieta por conseguirem se expressar tão bem e de forma tão bonita. Destaco, dentre elas, Quintana, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Cartola e tantos outros que são meus guias, seus textos são praticamente a minha bíblia cotidiana. Mas, de tudo o que eu li esse ano, o que mais me impressionou, me marcou, foi este "A Serenata", da Adélia Prado. Colocarei aqui para que seja mais fácil revê-lo sempre que eu quiser.
A SERENATA
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
A SERENATA
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
Domingo!
Enrolo por horas, mas quando começo a estudar, tudo me fascina. Tenho tido muitos bons momentos, se eu ainda acreditasse seria um ótimo período para agradecer. Até o que pouco prezo, mas me mantem, está tendo uma certa leveza antes inexistente. E, transpassando tudo, estão as minhas novas sensações.
Uma forma diferenciada de enxergar nas coisas o que elas têm de forte e também o que lhes falta. Nas oportunidades, não vivi, pois não tinha certeza. E, hoje, para que me serve essa certeza? Para tirar um pouco do meu sossego todos os dias. Se é melhor acreditar ou não, prefiro não saber.
Uma forma diferenciada de enxergar nas coisas o que elas têm de forte e também o que lhes falta. Nas oportunidades, não vivi, pois não tinha certeza. E, hoje, para que me serve essa certeza? Para tirar um pouco do meu sossego todos os dias. Se é melhor acreditar ou não, prefiro não saber.
sábado, 17 de abril de 2010
Desejo!
(Reencontrando textos antigos e vendo que continuo a mesma)
Quero o inverso disso tudo
O momento de voltar
O encanto que todos sentiam
Mais intenso do que antes
Desejo não exageros
Não limites
Não distâncias
Que sinto mesmo quando muito perto
E que se mostra nos instantes esquisitos
Percebo a vontade de sentir o diferente
De compreender o que sempre pareceu verdade
Mas que na realidade
Eram mentiras e segredos
E no fim só existe o perder
Tanto do que fui e sou
Quanto do que sinto e quero
Que passaram sem eu perceber
A seguir a direção inversa
Da que eu desejei tão forte que seguisse
Quero o inverso disso tudo
O momento de voltar
O encanto que todos sentiam
Mais intenso do que antes
Desejo não exageros
Não limites
Não distâncias
Que sinto mesmo quando muito perto
E que se mostra nos instantes esquisitos
Percebo a vontade de sentir o diferente
De compreender o que sempre pareceu verdade
Mas que na realidade
Eram mentiras e segredos
E no fim só existe o perder
Tanto do que fui e sou
Quanto do que sinto e quero
Que passaram sem eu perceber
A seguir a direção inversa
Da que eu desejei tão forte que seguisse
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Retorno!
Sinto que mudou.
Mesmo que não diga.
Uma coisa ficou: despedida!
Percebo-me inquieta, mais ausente do que quem não vejo.
Mesmo que não diga.
Uma coisa ficou: despedida!
Percebo-me inquieta, mais ausente do que quem não vejo.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Pensando!
Não é o comum, este já não existe. O normal é a presença. Queria ter mostrado tantas coisas neste tempo: meus textos bestas, minha sala nova e meus sorrisos de nervoso. Até o jornal eu teria levado e dito o quanto é engraçado a forma como copiam e repassam as nossas idéias. Acho também que eu teria ligado, logo após me parabenizarem pela primeira vez, desde que me encontro neste anseio constante por mudanças. Teria tecido uma lembrança muito melhor, pois no futuro também não mais existirá o que hoje já não existe. Pode ser que a mentira fosse completa, não apenas em partes específicas. Ou ainda que fiz absolutamente tudo para provar algo que não gostaria que imaginassem ser a minha escolha. No final comporto-me com indelicadeza. Tão sem proximidade com o que eu penso. Ouvi tanto que acreditei na ausência completa, mesmo sabendo a mentira que as certezas escondem.
domingo, 11 de abril de 2010
Dia!
Quando o corpo torna-se ofegante de cansaço.
Não mais se quer semanas de sorrisos.
E sim uma presença silenciosa.
Para que ninguém se sinta sozinho.
Nesses dias de muito medo.
Não mais se quer semanas de sorrisos.
E sim uma presença silenciosa.
Para que ninguém se sinta sozinho.
Nesses dias de muito medo.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Medo!
Pelo que não mais existirá.Entrego esse momento de silêncio. E todos os outros que eu sempre tenho. Nesse mundo preto e branco. Vou esquecer-me no som dessa música. E expressar-lhe a minha decisão. Que trará alegrias somente para mim. Talvez não haja beleza na felicidade egoísta.
Ir embora como quem não tem palavras. Deixar o que se tem por especial. Não sei se vivo no mesmo mundo. Dos meus pensamentos e idéias. Vou sentir o que é verdadeiro. Esconder-me em meus defeitos. Para não mais me enganar. Nessa ausência tão constante
Ir embora como quem não tem palavras. Deixar o que se tem por especial. Não sei se vivo no mesmo mundo. Dos meus pensamentos e idéias. Vou sentir o que é verdadeiro. Esconder-me em meus defeitos. Para não mais me enganar. Nessa ausência tão constante
Compreendo!
Você pode enganar todos.
Cujos olhos estão fechados.
Mas hoje são os seus.
Que no escuro estão.
Não desejo saber nada.
Nem mesmo fazer perguntas.
Só quero que a minha calma.
Seja tão intensa.
Que consiga diminuir o tumulto que há em você.
Depois de tanto silêncio.
Desejo que durma bem.
E não se espante com seus sonhos.
Eles serão esquisitos.
Talvez mostrem a verdade.
Tão bem escondida.
Em seus olhos fechados.
Cujos olhos estão fechados.
Mas hoje são os seus.
Que no escuro estão.
Não desejo saber nada.
Nem mesmo fazer perguntas.
Só quero que a minha calma.
Seja tão intensa.
Que consiga diminuir o tumulto que há em você.
Depois de tanto silêncio.
Desejo que durma bem.
E não se espante com seus sonhos.
Eles serão esquisitos.
Talvez mostrem a verdade.
Tão bem escondida.
Em seus olhos fechados.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Corredor!
Penso agora nas tantas coisas que eu não me imaginava sem. Hoje elas são meu nada ou talvez nem isso. Vem na minha mente as festas de Viçosa, o primeiro e o segundo pé na bunda e os almoços, jantares e botecos, que, em um único dia, reuniam mais pessoas do que eu consegui conquistar nestes três anos morando em Vitória (se juntassem todos). Sinto saudades das aulas do ano passado, de sair da minha sala sem janelas para encontrar novos olhares e viajar no que já não são. Já está chegando abril e ainda não entendi o propósito deste ano. Tão distante do que sou. Hoje eu imploro, insisto, fujo de tudo que acredito e que sempre aconselhei. Pode ainda haver algum sentido, mas sempre fui boa em minhas percepções. Almoços, cinemas, futebol, ovos de páscoa. Tudo me lembra o que não é para mim. Entendi, finalmente, porque eu nunca choro quando vejo filmes.
domingo, 28 de março de 2010
Noite!
Hoje acordei preocupada. Não há emoções que justifiquem tanta reação. Acordei com dor pelo excesso de sensações e senti saudades de Viçosa e dos amigos. Há tempos não pensava nisso. Na segunda vez já irei saber agir melhor, sem madrugadas esquisitas.
terça-feira, 23 de março de 2010
Sábado!
Havia sinceridade na forma fria de me falar. E devo sempre respeitar a falta de afeto. Caminhei sem ninguém e isso é o que eu sou. Sem reclamações, já que às vezes essa é uma importante qualidade. Não choro e nem sofro por pegar um ônibus, sentar em uma mesa, beber uma cerveja e passar a tarde toda por aí, ouvindo um samba, convivendo com quem diz não entender meu jeito. E fico rindo da surpresa dos amigos. Não tenho certeza se trocaria o que senti por um dia diferente. Só se a conversa tivesse tido outro tom, se nela eu percebesse uma cor mais forte. Mas, o que vivi foram outras sensações. Vi-me não confiar e vindo de mim é mais do que grave. Já decretei quinhentos fins e nenhum deles mostrou-se o verdadeiro.
domingo, 21 de março de 2010
Ciclo!
Menti novamente. Disse que havia terminado. Conversei comigo e expliquei toda a situação. Eu falei para mim que não existem possibilidades, e mesmo assim, pareço não querer me entender. Estremeci com a minha leitura. Pensei que já havia compreendido tudo e me vi sem forças diante dos bons momentos nos quais eu estava longe. Tentei me acalmar para recomeçar esse interminável diálogo. Nunca antes estive tão surda para as minhas próprias conversas.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Descrição!
Não chego perto. Não sou tão eficaz como eles na compreensão da intensidade. O que é demasiado me deixa sem palavras e assim, nada surge da minha vivência. O que eu escrevo é tudo invenção. Pois, o que realmente vivo eu nunca sei explicar. Ontem foi sutil, delicado. Mas, não posso descrever o que significa me sentir tão próxima da decepção. Vontade de dizer que esse ano está sem cor. Tão estranho quanto quando eu deixei absolutamente tudo o que me importava para viver em um novo lugar. Achei que eu tinha conquistado toda a importância novamente. Conquistei nada e ninguém.
sábado, 6 de março de 2010
Final!
Esta não é a solução. Esse isolamento está me deixando meio maluca. Imagina quem vive assim todos os dias. Não consigo nem aceitar. Pensei no que os outros estão fazendo enquanto estou aqui. Desejei uma experiência como nos filmes, um remédio que eu pudesse comprar e que me fizesse esquecer. Então essa é a forma de evitar o meu sofrimento? Está sendo tão eficaz quanto eu escrever para me sentir menos aflita.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Indefinido!
Enquanto eu ainda espero vejo que não aprendi nada. Acho que eu iria sentar, dizer as coisas que invento e tudo continuaria da mesma forma. As situações estão um pouco pesadas. E quando a solução é modificar o passado, não há nem como tentar. Vou partir é sozinha mesmo. Se sempre foi assim por que tanta aflição? Que vontade de terminar isso logo, isso e mais um tanto de outros issos que tanto estão me incomodando. Esse feitiço é uma maluquice mesmo. Para quem reclamava de não vivê-lo eu até que estou indo bem. Se eu acreditasse em alguma coisa esse seria o momento ideal de pedir. Enquanto isso vou me divertindo como ontem, com chuva e comigo.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Vivência!
Hoje reli coisas antigas e sempre fico na dúvida se gosto ou não. Algumas coisas eu percebo que sim e outras nem um pouco. Mudar é fundamental. Nesses dias de cansaço estou nem conseguindo pensar. Se fecho os olhos, não reflito mais aonde eu quero estar daqui uns dias, eu só tenho mesmo é visto jornais micro filmados na minha mente. Pelo menos eles trazem coisas que me acalmam um pouco. Acho bonito ver as pessoas demonstrando a tristeza sentida, sem nenhuma vergonha de parecer fragilidade. Mais lindo ainda eu penso que é ficar à toa, na beira da praia, de preferência bem longe, tomando cerveja e curtindo os amigos. Saudades da vida maciota!!!
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